História e formações

Tudo começou com uma brincadeira musical numa festa em 27 de janeiro de 1990 no play da Tia Sandra. A Tia Sandra no inicio era do Fabio, mas agora é de todos nos. Depois de tocar surgiu a proposta de fazer uma banda entre os colegas presentes de então dos quais só duraram até hoje como então fundadores: Fabio e Haroldo. Logo depois o grupo deixou de usar guitarra, baixo e bateria, se tornou um quinteto vocal constituído por Leonardo, Fabio Alves, Vitor Bento, Haroldo Mendonça e Marcelo Pacheco. Assessorados por harmonia de violão e efeitos percussivos com os próprios membros do grupo ou amigos músicos convidados.

Nessa formação houve grandes conquistas por parte do grupo como os festivais do curso Helio Alonso e o festival Kaiser onde conseguiu-se colocar duas musicas na final ‘Bem-vinda natureza’ e ‘Juventude e decisão’ com feras como Victor Biglione e Nico Assumpção no júri. Dessas apresentações do festival Kaiser participaram como músicos convidados Carlinhos Silva Paulo (percussão), Marcos Jose (violão) e Vinicius Sa(baixo). Em 1996 o quinteto vocal Espelho da alma gravou um trabalho visando divulgar entre amigos. Esse trabalho, gravado em fita cassete, futuramente viria a ser reeditado em CD no ano de 1999. Este é o primeiro CD gravado do Espelho da Alma que ‘saiu de catalogo’ (pelo menos do nosso) o qual disponibilizamos inteiramente aqui no formato mp3 com qualidade de 44,1 Khz de freqüência e taxa de transferência de 128 Kbps (kilobits por segundo).

Em 1998, depois de uma pausa o grupo retomou sua caminhada com Fabio Alves e Haroldo Mendonça no ‘Happy hour com Espelho da Alma’ do qual participaram como músicos convidados Lander Andrade (guitarra), Carlos César Motta (percussão), Eduardo (bateria) e Vinicius Sá (baixo). Depois viemos a descobrir que na verdade isso tudo não passou de um golpe pra enlaçar os amigos para a reativação da formação banda que viria então a todo vapor com a entrada de Edvar Filho (bateria) no projeto, que já tinha toda uma intimidade com o grupo, pois, junto com Lander e Vinicius constituiu um trio na adolescência no inicio da década de 90 onde praticamente aprenderam a tocar juntos, cada um o seu instrumento.

Esta parte da nossa pagina tentaremos manter em eterna manutenção. Afinal, historia esta sempre em movimento, anacronicamente falando, pois, sempre surgem novas visões sobre os momentos que passaram, que passam e que passarão ... nós ... passarinhos.

Os ensaios antes da gravação de "O mundo e eu"

Na terra da esperança, ainda impera o medo de se sobreviver exclusivamente de musica. E em conseqüência disso, foi uma época de muita correria. O Espelho da Alma decidiu que para sair do plano das idéias, o projeto de um disco novo com a concepção original de banda, tinha que haver um esquema de ensaios constantes pra se ficar agulhado pras gravações. Os arranjos estavam praticamente todos feitos no quintal da casa da mãe do Fabio durante o ano de 1998. Estavam ‘prontos’, mas quanto mais a gente toca, mais vai vendo uma nova possibilidade de melhorá-los.

Nossos arranjos de banda são mutantes. E assim somente naquele janeiro de 1999 produziu-se mais que no ano de 1998 inteiro em termos de entrosamento e arranjos. Três vezes por semana, todo mundo saindo do trabalho direto pro estúdio de noite e chegando em casa de madrugada pra no dia seguinte ter que acordar às seis de novo para desespero das esposas e namoradas que a despeito disso, ‘loucas’ estimulavam-nos. Mas só a satisfação de ver as coisas funcionando como a gente queria já pagavam esse preço.

"O mundo e eu"

Todas as bases de bateria, baixo e guitarra foram gravadas praticamente de uma vez nas nove musicas nesse esquema. As doze faixas foram divididas de maneira que as três mais alternativas (‘Passageiros da ilusão’, ‘Reaprendendo a amar’ e ‘Deus, você e eu’) fechassem três grupos de quatro. A ordem das outras foi meio ‘acontecendo’ - (e tome aspas!). ‘Navegando’, das musicas que entraram no disco, a ultima a ser composta , acabou sendo a primeira depois daquele ‘Um, dois ... um, dois, três, QUATRO!’ do Haroldo que não era pra estar originalmente, mas que a gente se acostumou tanto na hora de fazer as sobreposições que não deu pra tirar.

E foi unânime a impressão de que ela tinha que abrir o trabalho por causa disso. ‘O mundo e eu’ acabou sendo a segunda faixa, então. Nela ficam claras as nossas influencias roqueiras contemporâneas. Num conceito semântico-musical de inicio, meio e fim tentando traduzir a idéia da letra.

A loucura da introdução de ‘O sorriso, a luz, a flor’, carinhosamente apelidada por nos OSALAF nos roteiros de chão das apresentações, começou com uma brincadeira na guitarra pra errarem o pulso da musica. Ou seja, pra acharem que o tempo forte era um enquanto ele era outro explicado pelos demais instrumentos quando entrassem. pensamos tocar ela bem adolescente, leve, ingênua do jeito que a letra pedia num apelo de mudança interior.

‘Passageiros da ilusão’ é uma musica totalmente conceitual. Quase intitulou o disco. Mas acabaram achando um titulo que trazia consigo uma energia muito pesada diferente da proposta geral do que queríamos, enfim. A temática das drogas baseada em traumas observados de perto por nos em alguns queridos amigos que sucumbiram a esta tentação nos dando uma sensação de impotência total. Aquele clima todo intenciona reproduzir essas reflexões. A cara a tapa. como em todas as musicas, mas nessa notoriamente observado nas criticas dos mais diretos próximos e distantes que faziam questão de explicitar suas opiniões. Mas a proposta foi realizada como a concepção inicial imaginada.

‘Desalento’ veio de uma brincadeira da época do alojamento da UFRJ. Com o amigo Guadagnini sempre rolava umas jams e espécies de saraus musicais onde a gente conhecia as musicas um do outro, tão diferentes entre si e nunca tinha feito nada juntos. Daí a nasceu a curiosidade de ver no que daria essa mistura de estilos de composição de canções. Deu no que deu.

‘Descobre coração’ se enriqueceu e se transformou totalmente com o fechamento dos vocais nos arranjos dando a ela uma cara toda diferente.

‘Certas canções’ é uma das prediletas de todos. Uma canção interessante cheia de surpresas e trabalhada totalmente livre e descompromissada com padrões. Convidando todos a entrar numa de viagem interna. Nos apraz deveras toca-la e te-la gravado, enfim.

‘Reaprendendo a amar’ foi a musica do Pedro (filho do Haroldo) que o Fabio fez com a sua (re)vinda. A idéia foi faze-la num tom bucólico remetente a uma liberdade e tranqüilidade infantis na intenção de saudar, receber e ciceronear um amigo querido.

‘Anjo mudo’ é sem duvida o melhor fonograma do disco. Não sabemos o que houve foi gravada praticamente toda de uma única pegada e não mexida. Quando perguntei o que achava que a gente tinha que fazer com ela, o grande Raul Marçal que masterizou as faixas disse: ‘ - Sinceridade?! Não mexe em nada. Está tudo certinho: alturas, sibilos, estouros, ...’. E assim ficou.

‘Bem-vinda natureza’ foi mais um desencargo. A gente queria gravar ela com todos os recursos que sonhamos. E assim fizemos. É uma musica excepcional que impressiona a todos na primeira audição e fora trabalhada pelo grupo em diversas fases da sua existência dada a sua idade contada desde a ida década de 80. Essa versão condensou todas as pequenas idéias de acréscimo que tínhamos nos nossos devaneios individuais.

‘Fascínio’ foi sendo tocada e construída aos pouquinhos ate se transformar do original de violão e voz ao que está no disco. Com direito a inclusão de mensagens subliminares uberabenses, contribuição do Vinicius na época e tudo mais num ambiente jovem e leve como se propôs esse trabalho.

‘Deus, você e eu’ nos traz uma reflexão noturna, antes de dormir, do quanto ha por ai afora e do quanto temos que nos desprender do nosso egocentrismo as vezes pra enxergar novos ângulos da vida e podermos sempre atualizar nossos valores.

Devido a atribulações mil, parte da historia do Espelho, o disco terminou todas as etapas de gravação, mixagem e masterização no dia 24 de fevereiro de 2004.

E foi uma alegria.